Maria de Ipitanga e a educação de Lauro de Freitas
A mãe dela disse que Maria tem 12 anos e estuda em uma escola pública de Lauro de Freitas. Como muitas crianças de sua idade, Maria enfrenta dificuldades na escola por conta dos dois anos que passou praticamente fora da escola, devido a pandemia de coronavírus.
Maria não entende por que as aulas demoram tanto para começar. O fato é que enquanto muitos gestores públicos trabalham para tentar recuperar o prejuízo causado pela pandemia, os gestores de Lauro de Freitas escolheram continuar velhas práticas de definhar a educação.
Quem mora em Lauro de Freitas deve perceber que enquanto escolas particulares e escolas do Estado iniciam as aulas no início de fevereiro e encerram em meados de dezembro. As escolas públicas de Lauro de Freitas, iniciam as aulas em março e encerram as atividades no final de novembro. O propósito disso é reduzir as despesas públicas com os servidores temporários, economizar dinheiro, simplesmente. O professor contratado em Lauro de Freitas, só recebe os salários de março a novembro, alguns dias de dezembro, em raras exceções.
Não pare de ler ainda porque o problema só piora.
O plano de economizar o dinheiro da educação das crianças pobres da cidade só permite que os professores contratados, auxiliares de classe, cuidadores, sejam convocados em Março. O problema é que a Secretaria só consegue preencher todas as vagas, cerca de 3 meses após o início das contratações. A prática já comum resulta em déficit de professores, auxiliares de classe, cuidadores quase na totalidade das escolas; crianças sem aulas de várias disciplinas e voltando mais cedo para casa, ao menos até maio, junho.
Além da falta de professores algumas escolas enfrentarão problemas para iniciar o ano letivo devido a obras atrasadas. Muitas escolas não terão condições de recomeçar. Fatos como esses reforçam a necessidade da sociedade se organizar para reivindicar respeito pela educação pública.
Maria de Ipitanga, João de Portão, Ravi da Itinga, Jéssica de Vida Nova e todos os outros estudantes de Lauro de Freitas, que já enfrentam escolas sem estrutura adequada, sem laboratórios, sem bibliotecas, sem quadras, precisam que, no mínimo, esse mínimo de educação que os é ofertado seja respeitado.



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